sexta-feira, 9 de outubro de 2015

É CLARO que o homem tem livre arbítrio!


Algumas denominações cristãs, baseadas em versículos do Novo Testamento, afirmam que o ser humano é predestinado a fazer tudo que faz, é destinado a salvar-se ou condenar-se à tortura eterna. Bem, considerando o Novo Testamento, essa doutrina TEM SIM suas fontes, nas cartas de Romanos (7, 18 – 24; 8, 29; 9, 10-12), Efésios (1,5; 9) e outras. O Novo Testamento afirma categoricamente também que as pessoas são salvas da condenação sem ter mérito algum por isso, sendo o único fator envolvido o amor de Deus. Mas vamos mostrar neste artigo como esse é outro campo em que o Novo Testamento contradiz o Tanakh, segundo o qual há sim liberdade para o homem escolher em que caminho anda. Mostraremos ainda que a contabilidade dos méritos e pecados é INDIVIDUAL, de modo que ninguém pode pagar pelos pecados dos outros, e que as boas ações trazem SIM méritos para quem as praticam. Este último assunto, no entanto, não é o foco do artigo. Provavelmente escreverei outro artigo sobre isso. Leiamos os seguintes versículos bíblicos:


1-      O ser humano CONHECE o bem e o mal desde o começo:


Gênesis 3, 22 – O SENHOR Deus disse: “Eis que o homem tornou-se como um de nós pelo conhecimento do que seja bom ou mau...” 

Gênesis 4, 5-7 - Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar.


 Ora, por esse segundo texto temos muito clara a ideia do livre-arbítrio! Deus disse a Cain “não é de qualquer jeito! Se você tivesse feito direito, eu não teria aceitado seu sacrifício? O pecado tá na sua porta, e o seu desejo está SOBRE TI, você escolhe se o abraça ou se domina-o!”!!! Como podem dizer que não temos liberdade?




2-      Na Torá, há a total liberdade de escolha. O que acontece se escolhermos o bem ou o mal?

Deuteronômio 30, 15 - 18 – Vê: hoje ponho diante de ti a vida e a felicidade, a morte e a infelicidade, eu, que hoje te ordeno ames o SENHOR, teu Deus, andes nos seus caminhos (...) Então, viverás e te tornarás numeroso (...) Mas se teu coração se desvia, se não o escutas, e se deixa arrastar a prosternar-se diante de outros deuses e servi-los, eu hoje vos declaro: desaparecereis totalmente (...)

Deuteronômio 10, 12 – E agora, Israel, o que o SENHOR, teu Deus espera de ti? Ele espera apenas que temas o SENHOR, teu Deus, com todo o teu coração, com todo o teu ser.



Que sentido teriam esses textos se não houvesse livre arbítrio? Por que Deus pediria que fizéssemos o bem, se estamos destinados? Esse “se” do primeiro texto faz toda a diferença: se escolhermos A, teremos isso, se escolhermos B, teremos aquilo. A escolha é nossa!


3-      De onde vêm as desgraças que ocorrem ao ser humano?
Resposta: de suas próprias escolhas!

Lamentações 3, 39 - 40 – De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados. Esquadrinhemos os nossos caminhos, examinemo-los; Voltemos ao Senhor

Deuteronômio 32, 4 ss – É ele o Rochedo, perfeita é sua ação, todos os seus caminhos são judiciosos; é o Deus fiel, injustiça nele não há, ele é justo e reto. Para ele nada são senão corrupção, por causa de sua tara, já não são filhos, mas uma geração pervertida e transviada. Isto é o modo de tratar o SENHOR, povo idiota e sem sabedoria? Não é Ele o teu pai que te deu a vida?


Provérbios 19, 3 – A tolice de um homem destrói seu destino e ele, furiosamente, culpa o SENHOR por isso.


Ezequiel 33, 10-11 - Tu, pois, filho do homem, dize à casa de Israel: Assim falais vós, dizendo: Visto que as nossas transgressões e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como viveremos então?
Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?



O versículo acima, de Ezequiel, é claro e transparente: as pessoas estavam afirmando que o seu pecado estava SOBRE ELES, de modo que ninguém poderia viver. Deus responde a esse pensamento errado, dizendo que não é assim, e que o ímpio não deve morrer, e sim ESCOLHER A CONVERSÃO (retorno a Deus), para que viva!

Isaías 66, 3- Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações.

4-      Como pode Deus julgar as pessoas, se tudo já está destinado?


Eclesiastes 11, 9 - Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juízo.

Gênesis 18, 25 – Longe de ti tal conduta, de fazer o justo morrer junto com o culpado! Sucederá ao justo o mesmo que ao culpado? Longe de ti! O juiz de toda a terra não aplicaria o direito?

5-      Uma pessoa inocente paga pelo pecado de outra? 

Ezequiel 18, 20 – Aquele que peca é que morrerá; o filho não arcará com a iniquidade do pai, nem o pai pela iniquidade do filho; a justiça do justo estará sobre este, e a maldade do mau estará sobre ele.


Conclusão: não existe esse negócio de predestinação. Nós escolhemos nossas próprias ações, e lidamos com as consequências delas! Temos a total liberdade. Se não fosse assim, que sentido faria Deus mandar os profetas para corrigirem o povo, mandando-o voltar à prática das boas obras? Não faria sentido nenhum, porque as pessoas já estariam destinadas ao que quer que acontecesse em seu fim. Em sua famosa obra o Cuzari, o grande pensador judeu da idade média, Iehudá Halevi, questiona¹:

Quanto aos que negam a existência do livre-arbítrio, não se zangariam se alguém os prejudicasse propositalmente? Permitiriam a um ladrão roubar suas vestes, fazendo com que corressem o risco de adoecer se pegarem uma rajada de vento? Submeter-se-iam sem reagir a forças climáticas, com os impiedosos ventos frios do norte, que causam males à saúde? Na opinião dessas pessoas, a ira deve ter sido criada sem propósito algum, porque não podemos louvar ou censurar as pessoas, se partimos da premissa que tudo é designado ou premeditado. No entanto, vemos que a ação humana de modo algum é refreada ou impedida, e por isso merece ser louvada ou censurada, dependendo da escolha feita. (...) Se as ações humanas são pré determinadas pelos Céus, quem serve a Deus não estaria em melhores condições que os que se rebelam contra Ele, pois ambos estariam de acordo com o propósito para o qual foram criados.

O que dizer dos textos que parecem provar o destino?

Há alguns textos no Tanakh que afirmam que Deus endureceu o coração de Faraó (Ex 4,21; 14,4), do rei Sihon (Dt 2, 30), dos cananeus (Js 11, 20) etc. Como as explicamos? O Rambam (Maimônides), em seu Michnê Torá, hilkhot techubá cap. 5, explica que há pecados que são TÃO GRAVES que o castigo que é consequência delas é o fechamento da porta do arrependimento. Repare: em um primeiro momento, Faraó PECOU, rejeitando a Deus, negando-se a obedecê-lo, mas, ainda ANTES disso, pecou, maltratando o povo judeu (Êx 1, 10). Deus não obrigou o Faraó a pecar, ELE pecou, e o seu pecado resultou numa insensibilidade moral que o levou à ruína! Deus não decretou que os cananeus tivesse costumes abomináveis, entre eles o sacrifício humano e a prostituição sagrada. Essa questão do Faraó relaciona-se com o que é dito no Talmud: “a consequência de um pecado é outro pecado” (pirquê abot 4, 2).

Que relação há entre a sabedoria eterna de Deus e o livre-arbítrio do homem? Leia o seguinte, do capítulo 6 do livro citado acima, de Maimônides²:

[Um poderia perguntar:] eis que está escrito na Torá [Gênesis 15,13]: "Hão-de escravizá-los e oprimi-los," [aparentemente implicando que] Ele decretou que os egípcios iriam cometer o mal. Da mesma forma, está escrito [Deuteronômio 31,16]: "E esta nação se levantará e perdida após os deuses estranhos da terra," [aparentemente implicando que] Ele decretou que Israel iria servir ídolos. Se assim for, por que Ele os puniu? Porque Ele não decretou que uma determinada pessoa seria aquele que se desviou. Em vez disso, todos e cada um dos que se desviaram para a adoração de ídolos [poderia ter escolhido] não servir ídolos se ele não desejava servi-los. O Criador se limitou a informar [Moisés] do padrão do mundo. A que isso pode ser comparado? A alguém que diz que haverá pessoas justas e maus nesta nação. [Assim,] uma pessoa má não pode dizer que porque Deus disse a Moisés que haveria pessoas perversas em Israel, seria decretado que essa pessoa seria má. Um conceito similar aplica-se a respeito da declaração [Deuteronômio 15, 11]: ". O pobre nunca deixará de existir na terra". Da mesma forma, no que diz respeito aos egípcios, todos e cada um dos egípcios, que causaram dificuldades para Israel tinha a opção de abster-se de prejudicá-los, se assim o desejasse, pois não havia decreto sobre uma pessoa em particular. Em vez disso, [Deus meramente] havia informado [Abraão] que, no futuro, seus descendentes seriam escravizados numa terra que não lhes pertence.Já explicamos que é além do potencial do homem saber como Deus sabe o que vai ser no futuro.

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¹HALEVI, Iehuda. O Cuzarí. São Paulo: 2003. Ed. Sêfer p.278


² Traduzido diretamente de: http://www.chabad.org/library/article_cdo/aid/911905/jewish/Teshuvah-Chapter-Six.htm

2 comentários:

  1. Caracas velho.. Que texto ridículo...Muito mal elaborado e péssima interpretação... Deus é soberano!!!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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