segunda-feira, 27 de julho de 2015

IMPORTANTE! Aos Leitores

Olá! Muito obrigado por acessar, ler, comentar e compartilhar nosso blog.
Essa postagem, faço-a para avisar vocês que VÁRIAS POSTAGENS NOSSAS (Exemplos: ADORADOR OU MOABITA: A Quem Deus Protege? e Não Há Lugar na Bíblia para a Crença num Diabo!) foram e são atualizadas, devido a pensamentos novos que continuam o assunto ou a versículos achados que atualizam a postagem. Portanto, sugerimos que vejam as nossas postagens antigas novamente. Pedimos também que as compartilhe, pois trata-se de temas importantes em teologia, perguntas que muitas pessoas fazem.

Avisamos também que estamos publicando também no facebook, na página ANALISANDO AS ESCRITURAS

segunda-feira, 13 de julho de 2015

ADORADOR OU MOABITA: A Quem Deus Protege?

REFLEXÃO BÍBLICA

No livro de Números, a partir do capítulo 22, lemos a história de Balac, rei do país chamado Moab, e de Balaão, um profeta-feiticeiro (NÃO HÁ APENAS PROFETAS DO BEM!) que, não conseguindo amaldiçoar ao povo de Deus, propôs um conselho covarde e baixo àquele rei: que fizesse as mulheres midianitas (povo aliado) seduzirem os israelitas, para os provocarem à prostituição e idolatria públicas, o que causou a morte de milhares de israelitas. 

Podemos tirar dessa história algo SURPREENDENTE para nossas vidas espirituais. Acontece que Deus mandou que o povo se vingasse dos midianitas, exterminando-os (Núm. 31, 2), mas nada disse em relação aos moabitas, que foram os "mandantes do crime". Sabe por que isso aconteceu? De acordo com os sábios judeus, porque o Senhor saberia que no futuro haveria uma moabita chamada RUTE, de cuja descendência nasceria o rei Davi e toda a dinastia dos reis de Israel. (Rt. 4, 3 ss).

A lição é a seguinte: O Criador e Mantenedor do Universo, em sua infinita sabedoria, obra no presente sabendo das consequências que as ações causarão NO FUTURO, para as pessoas e as nações! NÃO ACHE VOCÊ QUE DEUS TE PROTEGE SÓ PORQUE VOCÊ É RELIGIOSO, e despreza os que não o são! Até o rei idólatra e malvado Nabucodonosor da Babilônia foi chamado por Deus de MEU SERVO (Jer. 27, 6). Deus NÃO precisa que os seres humanos o bajulem! Ele não fica interferindo na natureza o tempo todo, fazendo milagres apenas para exaltar os que o louvam e castigar os ímpios. A religião NUNCA deve ser entendida como uma forma de comprar os favores de Deus. Esse pensamento é a idolatria em seu estado puro! Até quando Deus recompensa um justo (ver história de José, que, apesar de suas profundíssimas virtudes, tinha defeitos, claro, como falar mal de seus irmãos), é sabendo, em sua INFINITA SABEDORIA as consequências futuras das coisas.

As passagens bíblicas que falam de bênçãos garantidas para quem obedecer aos preceitos devem ser entendidas como fala AO POVO coletivamente, NÃO A INDIVÍDUOS. Se o povo peca, recebe as amargas consequências de seus atos coletivamente, e até um Jeremias e um Ezequiel pagam por isso. Deus não é nem um pouco afetado pelos louvores nem pelos pecados do gênero humano, muito pelo contrário, se toda a humanidade deixasse de existir, Ele, bendito seja, continuaria existindo sem a menor alteração. O homem não conhece Seus desígnios, e fica com essa mesquinharia de dizer que Deus lhe deve. Idolatria pura. Não se negocia com Deus. Até Nabucodonosor é servo dEle, quando Ele quer. Até o povo de Moab é protegido por Ele (episódio de Balaão, citado em uma postagem anterior), para satisfazer a Seus desígnios séculos e séculos depois. Qualquer religião que afirme -- ou sugira nas entrelinhas -- que Deus tem a obrigação de proteger quem louva a Ele é idólatra.

domingo, 12 de julho de 2015

Deuteronômio 18, 15 NÃO FALA sobre UM PROFETA em particular!

A palavra "um" pode ser classificada gramaticalmente como duas coisas. Lembra quais?
Acertou quem disse NUMERAL e ARTIGO INDEFINIDO.

Para quem não está tão afiado em gramática, vou revisar: artigos são aquelas palavras que vêm antes do substantivo, determinando-o ou indeterminando-o. Há dois tipos de artigo: DEFINIDO e INDEFINIDO. Os artigos DEFINIDOS são O, A, OS e AS, e servem para determinar o substantivo. Se eu disser, por exemplo, que a bola está atrás da porta, só pode ser uma porta que o meu interlocutor SABE QUAL. Os artigos indefinidos são UM, UMA, UNS, UMAS, e servem para INDETERMINAR o substantivo. Vou citar um exemplo que considero claro: se eu disser: "há buracos no telhado. Deve ter sido obra de um gato", esse UM não é um numeral, porque não estou PRECISANDO A QUANTIDADE DE GATOS que pisaram o telhado, e sim "chutando", dizendo que qualquer gato pisou o telhado, ou que gatos o fizeram.

Por que eu ministrei toda essa aula gramatical? Porque hoje vamos explicar um texto bíblico que infelizmente é mal compreendido por muitos leitores, por causa de uma confusão entre um ARTIGO INDEFINIDO e um NUMERAL.

O texto é o seguinte:

O Senhor, teu Deus, te suscitará dentre os teus irmãos um profeta como eu: é a ele que devereis ouvir. (Deuteronômio 18,15)

Muçulmanos e cristãos têm firmeza em acreditar que esse versículo era a profecia que anunciava a vinda de, respectivamente, Maomé e Jesus Nazareno. Sobre a visão cristã, devemos acrescentar que a má interpretação está, para variar, registrada no Novo Testamento: Atos 3, 22 e 7, 37.

Claro que essas interpretações não são compatíveis com o Antigo Testamento. Sabemos claramente que não há profecia superior à profecia de Moisés, pois a própria Bíblia fala que aos demais profetas Deus fala por sonhos e visões, mas com Moisés não era assim, e sim FACE À FACE (Nm 7, 89). De fato, um dos dogmas da fé judaica propõe que a profecia de Moisés é superior a todo e qualquer que possa vir antes ou depois dele. Ora, foi através desse homem que ocorreram todos os milagres que o povo inteiro de Israel presenciou! Foi sob sua liderança que o próprio Criador deu-nos sua Carta de amor, sua Lei!

Mas, afinal, qual a verdadeira interpretação do versículo de Deuteronômio? Não fala sobre Um profeta?

Trata-se de mais uma interpretação tendenciosa devida À TRADUÇÃO, que sugere o numeral UM. Que tal uma tradução PALAVRA POR PALAVRA do hebraico?


Ou seja: não há NUMERAL 01 (UM, em hebraico, "ehadh" ->אחד) no texto em hebraico!
Ora, a simples falta do artigo é suficiente para INDETERMINAR o substantivo. Por exemplo, se eu quisesse dizer em hebraico "eu escrevo uma carta", eu diria "ani (eu) cotev (escrevo) mikhtav (carta)", sem artigo! Conclusão: a palavra UM no texto, não é numeral, não está sendo apontado UMA pessoa em particular, e sim "qualquer profeta", indeterminado.

Nem precisaríamos recorrer a hebraico para isso, bastaria ler o contexto. Infelizmente, as pessoas pegam o texto isolado e fica por isso mesmo. Mas vejamos o contexto!

15 O Senhor, teu Deus, te suscitará dentre os teus irmãos um profeta como eu: é a ele que devereis ouvir. 16 Foi o que tu mesmo pediste ao Senhor, teu Deus, em Horeb, quando lhe disseste no dia da assembléia: Oh! Não ouça eu mais a voz do Senhor, meu Deus, nem torne a ver mais esse fogo ardente, para que eu não morra! 17 E o Senhor disse-me: está muito bem o que disseram; 18 eu lhes suscitarei um profeta como tu dentre seus irmãos: pôr-lhe-ei minhas palavras na boca, e ele lhes fará conhecer as minhas. ordens. 19 Mas ao que recusar ouvir o que ele disser de minha parte, pedir-lhe-ei contas disso. 20 o profeta que tiver a audácia de proferir em meu nome uma palavra que eu lhe não mandei dizer, ou que se atrever a falar em nome de outros deuses, será morto. 21 Se disseres a ti mesmo: como posso eu distinguir a palavra que não vem do Senhor? 22 Quando o profeta tiver falado em nome do Senhor, se o que ele disse não se realizar, é que essa palavra não veio do Senhor. O profeta falou presunçosamente. Não o temas. (Deuteronômio 18, 15 - 22)

Que informações a mais tiramos desse texto?

1- O motivo de Deus mandar profetas é o seguinte: O PRÓPRIO POVO pediu que não ouvisse a voz de Deus, mas que houvesse um porta-voz. Então, por isso, Deus mandaria profeta. Todos os profetas que foram enviados, Isaías, Ezequiel, Elias etc. cumpriram esse texto! Eles foram usados como porta-vozes do criador ao povo!

2- o texto trata de regras para profetas e para a aceitação deles. Veja por exemplo os versos 21 e 22: eles falam de como o povo deveria lidar com os profetas, ver se eles estão falando por Deus mesmo ou se são FALSOS PROFETAS.

A compreensão correta do texto ainda fica mais cristalina quando vemos os versículos ANTERIORES à promessa da vinda de profetas:

"Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações.
Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;
Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos;
Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti.
Perfeito serás, como o Senhor teu Deus.
Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o Senhor teu Deus não permitiu tal coisa." (versículos 9 - 14)
Imediatamente ANTES de falar sobre profetas, a Torá proíbe que se consultem os feiticeiros, adivinhos, magos, astrólogos, todo tipo de sacerdotes supersticiosos que dizem prever o futuro. Podemos concluir portanto que, após proibir formas ERRADAS de ver o futuro, o Livro Sagrado mostra qual deve ser nossa real alternativa: confiar nos PROFETAS VERDADEIROS, esses sim enviados por Deus e capacitados para, ENTRE OUTRAS COISAS, prever certos acontecimentos. Lembrando que não era só isso que o profeta fazia. Os livros de Samuel, Reis, Josué e Juízes são livros de profetas (nebiim), na Bíblia Judaica, e os personagens aí figurados não são famosos por previsões do futuro. Nem mesmo Isaías, Jeremias, etc. devem ser vistos como "adivinhos do futuro", e sim como admoestadores. Essa sim é a função típica do profeta: indicar ao povo seus desvios do caminho da Lei e chamá-lo de volta.
Assim, fica claro que, para qualquer pessoa que ANALISOU realmente Deuteronômio capítulo 18, o texto fala sobre a forma como Deus usa os profetas -- no plural, os profetas de todas as gerações, que foram enviados para ser porta-vozes de Deus ao povo-- e como o povo deve aceitá-los, ouvindo suas palavras ou vendo se seriam falsos profetas. As edições judaicas em português, que podem ser adquiridas através da editora SÊFER ( a "Torá" e "A Bíblia Hebraica"), acrescentam, para explicar o mal entendido, "em todas as gerações".