quarta-feira, 6 de abril de 2016

Manual rápido para Pêssah (Páscoa Judaica) 2016!

PRÓXIMA COMEMORAÇÃO: פסח – PÊSSAH (“Páscoa”, "Passagem")

a) O que comemora:

Comemora a saída (c. 1290 a.e.c.) do povo hebreu do Egito, onde esteve cativo por 210 anos. Originalmente, de acordo com certos estudos¹, já existia na mesma época a festa pagã da primavera (Pêssah sempre cai na primavera, aviv, em hebraico), pelo que Deus lhe deu um novo significado, para afastar o povo do paganismo. É uma festa de liberdade, tempo de contar às crianças a história da escravidão no Egito e dos milagres de Deus que de lá nos tiraram. Apesar de ser o nome popular na celebração, Pêssah é, na verdade, uma referência ao sacrifício do “cordeiro pascal”, que se fazia no 14 de Nissan. Pêssah significa “passar por cima”, referência ao anjo da morte, que passou por cima das casas israelitas para não matar os primogênitos hebreus, na última das famosas dez pragas do Egito.  O nome do festival de sete dias é Hag hamassot (festa dos ázimos). A festa, que era uma das três em que os judeus subiam a Jerusalém com sacrifícios, é conhecida como “zemán herutênu” (época de nossa liberdade). A liberdade é um dos maiores ideais da Torá.


b) Datas:

22 de abril (sexta-feira)- Véspera de Pêssah (14 de Nissan)
23 de Abril (sábado) - Pêssah (15)
24 de Abril (domingo) - Hol hamo`êd 1, 1º dia do `ômer (16)
25 de Abril (segunda-feira) – H. ham. 2, 2º dia do `ômer (17)
26 de Abril (terça-feira) –  H. ham. 3, 3º dia do `ômer (18)
27 de Abril (quarta-feira) – H. ham. 4, 4º dia do `ômer (19)
28 de Abril (quinta-feira) – H. ham. 5, 5º dia do `ômer (20)
29 de Abril (sexta-feira) – Sétimo dia de Pêssah, 6º dia do `ômer (21)

 

c) Misvot (Preceitos)

Da Torá escrita: 33, dos quais 6 POSITIVOS (marcados com *) são sempre aplicáveis:

M. 159* – Descansar no primeiro dia de Pêssah
P. 323 – Não trabalhar no primeiro dia de Pêssah.
M. 160* – Descansar no sétimo dia de Pêssah.
P. 324 – Não trabalhar no sétimo dia de Pêssah.
P. 199 – Não comer hamêss depois da metade do 14º dia de Nissan.
M. 156* – Erradicar o hamêss na véspera de Pêssah.
P. 200 – Não pode ser visto hamêss em nossas moradias durante Pêssah.
P. 201 – Não possuir hamêss durante Pêssah.
M. 158* – Comer massá (pão ázimo) na noite do décimo quinto dia de Nissan.
M. 157* – Narrar o êxodo do Egito.
M. 161* – Contar o `ômer.
M. 43 – O Qorbán mussaf (sacrifício adicional) de Pêssah.
M. 55 – Fazer o abate ritual do qorbán (sacrifício de) pêssah.
P. 115 – Não fazer o abate ritual do qorbán (sacrifício de) pêssah enquanto tivermos hamêss em nosso poder.
P. 116 – Não deixar as partes do qorbán (sacrifício de) pêssah de um dia para o outro.
M. 57 – Fazer o abate ritual do qorbán (sacrifício de) pêssah cheni.
M. 56 – Comer o qorbán (sacrifício de) pêssah.
M. 58 – Comer o qorbán (sacrifício de) pêssah cheni.
P. 125 – Não comer o qorbán (sacrifício de) pêssah cozido ou cru.
P. 123 – Não retirar o qorbán (sacrifício de) pêssah do lugar onde ele é comido.
P. 128 – Não permitir que um israelita apóstata coma do qorbán (sacrifício de) pêssah.
P. 126 – Não permitir que um guer tocháv coma do qorbán (sacrifício de) pêssah.
P. 127 – Uma pessoa incircuncisa não deve comer do qorbán (sacrifício de) pêssah.
P. 121 – Não quebrar nenhum osso do qorbán (sacrifício de) pêssah.
P. 122 – Não quebrar nenhum osso do qorbán (sacrifício de) pêssah cheni.
P. 117 – Não deixar nenhuma parte da carne da oferenda de Pêssah até a manhã seguinte.
P. 119 – Não deixar sobrar carne do qorbán (sacrifício de) pêssah cheni até a manhã seguinte.
P. 118 – Não deixar sobrar carne do qorbán haguigá do 14 de Nissan até o terceiro dia.
M. 53 – Comparecer diante de Deus durante as festas.
M. 52 – As três peregrinações anuais.
M. 54 – Alegrar-se nas festas.
P. 156 – Não comparecer ao santuário numa festa sem um sacrifício.
P. 229 – Não abandonar os levitas durante as festas.

d) Práticas

• Por mandamento da Torá, como visto acima, o hamêss (alimentos fermentados feitos de trigo, farro, cevada ou espelta) deve ser erradicado das casas israelitas antes da festa de Pêssah. Hamêss não equivale a “alimentos com fermento químico”, e sim a alimentos feitos a partir dos cereais citados acima e cuja farinha entrou em contato com água, iniciando um processo de fermentação. Devem-se comprar massot apropriadas, o que atualmente se pode fazer via internet. Não é seguro fazer o próprio pão ázimo, pois a farinha comum pode ser hamêss. Tradicionalmente, faz-se uma busca na noite do dia anterior à véspera de Pêssah, chamada bediqat (busca de) hamêss. Os alimentos hamêss encontrados são então queimados na manhã seguinte, no ritual chamado bi`ur (queima do) hamêss.

• O jejum dos primogênitos, feito durante o dia na véspera de Pêssah (14 de nissan) NÃO É OBRIGATÓRIO, é apenas costume. Os primogênitos costumam jejuar para lembrar-se de que escaparam do morticínio que alcançou os primogênitos egípcios.

• Deve-se relatar aos filhos (ou na falta desses, a quaisquer pessoas) a saída do Egito e outras histórias relacionadas, da melhor forma possível, na noite de 14 de nissan. Para padronizar esse relato, os sábios criaram um livro chamado Hagadá (narração). A Hagadá é lida durante um ritual cheio de alimentos simbólicos, cada qual é explicado à medida que se lê.  Uma edição tradicional da Hagadá, realizada por Sha'ul Bensiion pode ser encontrada no site do Qol HaTorá

• O primeiro e o sétimo dias da festa são, por mandamento explícito da Torá, “dias santos” (“iamim tovim”), uma espécie de sábado secundário em que não devem ser realizados certos tipos de trabalhos. Na diáspora, acrescenta-se um dia extra como “iom tov”. Os “dias santos”, portanto, fora de Israel, são, em 2016: 23, 24, 29 e 30 de abril.

e) Saudação

 חג פסח שׂמח! (Hag Pêssah samêah) – Feliz festa de Pêssah!

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¹ http://www.jewishencyclopedia.com/articles/11933-passover

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