terça-feira, 8 de dezembro de 2015

“Elementos pagãos” na Bíblia: um problema?



Estamos nos aproximando das festas do fim do ano, e, sem um pingo de dúvida, você, leitor religioso, vai receber de suas redes sociais, e-mail, da mídia ou mesmo de amigos uma tempestade de artigos, áudios e vídeos com argumentos mostrando que as festas têm origens pagãs, que os próprios católicos assumem isso, que Jesus não nasceu em dezembro, etc. Eu mesmo confesso que em anos anteriores insistia muito nesse negócio de nos distanciarmos de elementos do paganismo. Talvez vocês achem até neste blog, em postagens antigas, resquícios desse tipo de abordagem. Nunca vimos tantas frentes de combate às influências pagãs e busca por uma religião pura: festas, nomes, produtos culturais (filmes, desenhos animados), comemorações como aniversários e até formas de chamar Deus são vítimas da limpeza religiosa dos “antipagãos”.

Mas minha opinião mudou um pouco, e gostaria de falar sobre isso neste artigo, que, garanto, será polêmico para muitos, e extremamente importante e revelador para outros.

Em primeiro lugar, gostaria de fazer uma pergunta para os “antipagãos” que estão lendo, dentro do tema do natal: se os próprios católicos SABEM que essa festa tem origem pagã, é algo claro e patente e não tem ninguém querendo esconder, você não percebe que eles NÃO ESTÃO ACHANDO NISSO UM PROBLEMA QUE IMPEÇA A CELEBRAÇÃO DO NATAL? Eles sabem que a celebração do domingo tem origem em costumes pagãos, os próprios padres acadêmicos, estudiosos, revelam isso em artigos, sem nenhum tipo de constrangimento! Será que eles não acham problemático celebrar coisas dos “malditos pagãos” dando uma roupagem religiosa cristã?

Que tal lermos a opinião de um católico convicto sobre isso? Vamos lá?

A adoção do 25 de dezembro de maneira nenhuma pode ser vista como adoção de alguma crença pagã pelos cristãos. Ao contrário, é precisamente este o melhor sentido da data de celebração do Natal, no mesmo dia de uma antiga festa pagã. Não é fraqueza da Igreja diante do paganismo: é uma solene declaração de vitória da fé cristã sobre o paganismo! Cristo triunfa: os falsos deuses são esquecidos, substituídos pela Luz da Verdade. É a conversão dos pagãos. É o nascer do verdadeiro Sol invicto sobre as trevas das antigas crenças: se antes celebravam um mito, agora celebram o Filho de Deus!¹

            Ou seja: é claro que todo mundo sabe que a origem da celebração é pagã! Não é a pólvora que você está descobrindo. Aliás, pra quem só lê Bíblia é sim uma descoberta, mas pra quem ESTUDA a Bíblia e OUTROS ASSUNTOS, nem tanto. Não sou cristão – sou judeu— e não celebro natal, mas entendo a comemoração dessa festividade como algo que faz sentido para os cristãos, embora não faça para mim. O que fizeram as pessoas que instituíram essa festa foi pegar a celebração pagã e colocar a simbologia cristã ali, mostrando que esta venceu e que o “povão” pagão agora continuaria com a mesma data e certos costumes, mas com OUTRO SIGNIFICADO! Entendeu?

Até aqui falei da questão da influência pagã numa crença que não é a minha, que é o cristianismo. Mas o que dizer da utilização de símbolos pagãos pelo JUDAÍSMO e pela BÍBLIA SAGRADA? Você sabia que ela existe? Para introduzir o assunto, vejamos a seguinte imagem tomando a tela inteira:


            Chocado? Pois é! Recentemente foi descoberto um selo do rei Ezequias, mencionado na Bíblia, em circunstâncias que batem com as informações bíblicas sobre esse personagem, e o selo tem dois símbolos pagãos que representam a imortalidade impressos nele! Lembrando que Ezequias não foi um rei dos maus reis de Judá não, e sim foi o melhor de todos eles, confiando no Senhor e combatendo a idolatria:

E sucedeu que, no terceiro ano de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, começou a reinar Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá.
(...) E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai.
Ele tirou os altos, quebrou as estátuas, deitou abaixo os bosques, e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera; porquanto até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso, e lhe chamaram Neustã.
No Senhor Deus de Israel confiou, de maneira que depois dele não houve quem lhe fosse semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele.
Porque se chegou ao Senhor, não se apartou dele, e guardou os mandamentos que o Senhor tinha dado a Moisés.

2 Reis 18, 1- 6

            Como explicar isso? Bem, eu tentaria te explicar que o povo de Deus e as próprias Escrituras utilizam linguagem e símbolos POPULARES, de modo que o povo entenda. As pessoas do tempo de Abraão, Isaac e Jacob NÃO ERAM JUDEUS ORTODOXOS, NEM CRISTÃOS PROTESTANTES! Eles viviam no meio de povos idólatras e politeístas! A cultura deles era cheia de referências ao politeísmo. É claro que a linguagem que o próprio Deus usaria para falar com eles, apesar de ser Santo, precisava ser uma linguagem dentro da cultura deles, que eles compreendessem. Vou citar um exemplo: quando Deus fez a aliança com Abraão, ele mandou que Abraão partisse vários animais pelas metades (Gn 15, 9). Por que Deus usou essa simbologia? Tem alguma coisa mística e espiritual aqui? Há alguma magia que exigisse o uso de animais esquartejados? A resposta é NÃO! Acontece que a forma que as PESSOAS, OS SERES HUMANOS usavam para fazer aliança na cultura de Abraão era aquela! Eles cortavam animais pela metade e os contratantes passavam pelo meio fazendo um juramento que se tornariam como aquelas carcaças se o quebrassem².

            Vamos para alguns outros exemplos de símbolos/ elementos da cultura “humana” ou até mesmo pagã em textos bíblicos:


Querubins

            Você acha que existe mesmo uma categoria espiritual/metafísica de anjos chamados ‘querubins’, com asas e tal? Diga-me: por que Deus precisaria de criaturas com matéria para realizar seus objetivos? Na verdade, os querubins estão presentes na Bíblia porque faziam parte do imaginário e de itens decorativos de outros povos próximos aos hebreus, como divindades, inclusive, chamadas “karabu” ou “kuribu”!!! Veja na imagem³:


Seol

É impressionante! As pessoas ficam procurando “estudos bíblicos” para saber o que é, na realidade, o Seol, o que é o Hades, etc. Ora, na verdade esses são representações do IMAGINÁRIO dos personagens, que não necessariamente condizem com nenhuma realidade! Quer dizer que porque as pessoas na época de Jacob acreditavam no Seol, esse lugar existe? Sabe onde ficava o Sheol, no imaginário das pessoas da época? Veja a imagem:

A terra é plana? Tem colunas? O céu é assim? Josué 10, 12 diz que o sol parou, atendendo à oração de Josué. Ora, sabemos que a terra é que gira em torno do sol, e não o contrário. Por que a Bíblia diz que o sol parou, e não a terra? A Bíblia é falsa e não tem nada de Deus nela? NÃO!!! A Torá continua sendo a palavra de Deus, mas ela fala em uma linguagem QUE O HOMEM ENTENDA, inclusive usando a cultura deste!!! É o que os sábios judeus de uns dois mil anos atrás já sabiam, e muitos hoje não perceberam ainda: “A Torá fala na linguagem dos homens, para que eles possam entender!” (Talmud babilônico, Berakhot 31b). A Bíblia é um livro escrito para homens, por homens, com linguagem humana, e que contém a Lei de Deus. Não há que idolatrar a Bíblia e achar que ela é mais que isso!


Elementos da narrativa da criação

Gênesis 1, 21 diz que “Deus criou os monstros marinhos” (taninim, em hebraico). Essas criaturas são as únicas mencionadas nominalmente na criação. Por quê? De acordo com nossos comentaristas4 , porque os povos idólatras da Babilônia e outros povos antigos acreditavam que a criação se deve a lutas entre grandes répteis como serpentes e dragões, que seriam os deuses. O que o Gênesis quer dizer é que esses seres não são deuses, e sim são, eles mesmos, criados por Deus. Nem mesmo é necessário que esses seres existam, é apenas uma forma de combater a concepção errada daqueles povos. Algo semelhante acontece com a narrativa do “pecado original” e a serpente, que muitos consideram ser um diabo. Muitos deuses dos povos antigos tinham forma de serpente, no imaginário popular. Isso vem da propriedade que esse animal tem de trocar a pele, dando uma ilusão de imortalidade e eterna juventude. As narrativas da criação dos sumérios e outros povos continham referências à fruta e à serpente, assim como a Bíblia, mas a serpente era representada como um deus. O Gênesis (3,1) insiste em que ela é apenas uma criatura5. De acordo com a visão judaica, aqueles primeiros capítulos do Gênesis não são históricos/literais, e devem ser entendidos como uma alegoria ou poesia. Escreveremos posteriormente sobre isso.


Sacrifícios

            A teologia cristã afirma que o derramamento de sangue animal e, posteriormente, o sacrifício humano de Jesus é a fonte para o perdão dos pecados. Essa não corresponde à forma judaica de ver o texto bíblico. Não acreditamos que Deus precisa de sangue para perdoar pecados, e nos apoiamos em vários textos bíblicos que falam de perdão através de outros meios, como boas obras e oração (veja Lv 5, 11-13; Nm 16, 46-48; 1Rs 8, 46- 50; Os 14, 1-; Mq 6, 7-8. Faremos um artigo detalhado sobre esse tema). Por que, então, foram ordenados os sacrifícios? A seguinte explicação é do rabino Moisés Maimônides, o RAMBAM (1135 - 1204) , com tradução de Sha’ul Bension6:

Muitos preceitos em nossa Torá são resultado de um curso semelhante adotado pelo mesmo Ser Supremo. É, a saber, impossível ir de repente de um extremo ao outro. É portanto - segundo a natureza do homem - impossível para ele subitamente abandonar tudo o que está acostumado… Os israelitas foram ordenados a se devotarem ao serviço dEle e a ‘serví-lo de todo o teu coração’ [Dt. 11:13], ‘e servirás a ADONAY teu Elohim’ [Ex. 23:25], ‘e vós o servireis’ [Dt. 13:5]. Mas o costume era geral naqueles dias dentre todos os homens, e a forma geral de adoração na qual os israelitas haviam sido criados, consistia em sacrificar animais naqueles templos que continham certas imagens, para se prostrar a essas imagens e queimar incenso perante elas… O Eterno em Sua sabedoria não achou apropriado nos ordenar a rejeitar completamente todas essas práticas - algo que o homem não poderia conceber de aceitar, segundo a natureza humana que é inclinada ao hábito. Teria sido comparável a um profeta aparecer hoje, e clamar por um serviço ao Eterno, declarando que o Eterno agora ordena que não ireis mais orar a Ele, nem fazer jejum nem buscar a Sua ajuda nem tempos de angústia, mas que o vosso serviço a Ele será através da meditação sem qualquer obra de qualquer natureza. Ele portanto permitiu que essas práticas continuassem, mas as transformou de suas associações idólatras… para que o propósito delas fosse direcionado a Ele. Assim, Ele nos ordenou a construirmos um santuário para Ele com um altar para o Seu Nome e a oferecer sacrifícios a Ele…

            Ou seja: para Maimônides, os sacrifícios não são uma prática, digamos, ideal, e sim uma concessão aos costumes da época! Se Deus não tivesse instituído o sacrifício judaico, o povo continuaria a oferecer sacrifícios a deuses falsos, pois estava arraigado no pensamento deles que eles precisavam disso para obter chuvas e consequentemente boas colheitas! Isso pode impressionar você, mas temos que lembrar novamente que o povo de Israel vivia em meio a povos politeístas, que tinham essas práticas, como forma de alimentar os deuses para receber os frutos dessa “bajulação”. Para Deus ir ensinando aos pouquinhos ao povo, era necessário que fosse usada a linguagem do povo, sua cultura. Achar que Deus chegaria para Abraão e cobraria que ele fosse um judeu ortodoxo moderno ou cristão protestante é como achar que você pode chegar para uma criança e dar uma aula avançada de física!

Sacrifício grego


Feriados/ festividades

            Se tem uma coisa que não falta no calendário judaico são celebrações: Sábado, Páscoa, Pentecostes, Tabernáculos, Ano Novo, Dia do Perdão, Purim, Hanucá. Todas elas são festas com uma simbologia profunda e belíssima, começando pela comemoração da criação do mundo e da liberdade, e passando pela proteção de Deus, momentos de jejum e auto-exame e mais livramentos de perseguições dos povos. O que poucas pessoas sabem, no entanto, é que várias festas são anteriores à revelação e, a priori, comemoravam eventos não tão ligados a motivos religiosos, e sim às colheitas. Veja o que diz a jewish encyclopedia sobre pêssah7:

Este Pesaḥ pastoral era originalmente distinto do festival Maẓẓot , mas fundiu-se ainda mais prontamente com ele porque ambos ocorriam na primavera , no tempo do equinócio vernal . A festa de Maẓẓot é distintamente agrícola , sendo os bolos Maẓẓot  tanto a oferta natural da cevada recentemente colhida para os deuses que permitiram que a cultura amadurecesse , e , em seguida, o alimento básico das pessoas que faziam a colheita . Oferta e alimentos são quase sempre idênticos nos conceitos e práticas de raças primitivas . A dificuldade de encontrar uma explicação histórica adequada para o Maẓẓot é evidente, mesmo no relato de Ex. xii. O que as tornaria símbolos da pressa da libertação do Egito, porém, foi a suposição de que o Maẓẓot tinha sido usada na refeição da Páscoa antes do Êxodo .

            Ou seja, o festival de Pêssah  , antes de ser uma festa à liberdade e ao livramento do Senhor, era uma festa de agricultura e colheita, comemorada na época do ano propícia para colheita da cevada! Mais uma vez, perceba o que nós estamos querendo dizer: não é que a Bíblia seja uma grande mentira e não sirva de nada mais que enganar as pessoas! Não é isso! Acontece que a revelação de Deus encontrou pessoas primitivas, que precisavam de chuvas e boas colheitas para se sustentarem, e usou suas práticas supersticiosas de “bajulação” dos deuses (forças da natureza) para conseguir seu sustento e, usando as MESMAS DATAS, foi, aos poucos acrescentando liberdade aqui, proteção ali, livramento acolá! Isso é maravilhoso, não é mesmo? É como um pai que vai educando seu filho, pra que ele não fique estagnado em sua linguagem infantil, mas, ao mesmo tempo, respeitando essa linguagem e usando-a para ensinar coisas novas!
           
            Para quem não sabe, no ano judaico, estamos na época da festa de oito dias chamada Hanucá (dedicação do templo), que comemora a vitória dos macabeus sobre a opressão do rei Antíoco Epifanes. Um dos motivos para essa festa durar oito dias é uma estória encontrada no Talmud, que explica que quando os macabeus chegaram ao templo encontraram óleo puro suficiente para acender a menorá (candelabro de sete braços) apenas por um dia, mas o óleo durou, miraculosamente, por oito dias. Eu estava ontem mesmo lendo um artigo8 sobre o milagre do óleo e descobri algo surpreendente: o milagre do óleo, que todo judeu conta para seus filhos, não é histórico, pelo menos não se pegarmos todos os importantes documentos que contam a história da época, como primeiro e segundo Macabeus, a Meguilat Hanucá e Josefo! O mais provável é que o que os rabinos do Talmud descreveram como milagre fosse uma forma codificada de referir-se à vitória militar dos judeus sobre Antíoco, o que seria um assunto perigoso para falar, na época do domínio romano. Mas o que mais me surpreendeu no artigo foi que é possível desprender de textos do Talmud e literatura judaica em geral uma forte associação entre Hanucá e – pasme! – o solstício de inverno e suas festas pagãs, elas mesmas, que estão sendo esculhambadas na forma do natal, pelos zebraicos, internet afora!

Mais uma vez a simbologia é a mesma: a vitória de Deus sobre a idolatria e o uso da simbologia que já estava no imaginário popular para transmitir uma mensagem de monoteísmo e esperança no Senhor.



Conclusão

O homem tem sua cultura, e Deus respeita isso. Você acha que Deus se importa que chamemos o primeiro mês do ano de “janeiro”, mesmo sabendo que o nome vem de um falso deus? Você acha que Deus rejeita o fato de nós fazermos planos para um ano novo de paz e coisas boas só porque dizem que o tal deus Janus tinham uma cara pra o ano passado e outra para o ano novo? Será que os religiosos que moram em países de língua espanhola ou inglesa estão “lascados” por pronunciarem nomes de deuses falsos em seus nomes de dias da semana (thursday, miércoles etc.)? Gente, o que vale é a intenção! Ninguém quando pratica essas coisas culturais está pensando em prestar reverência a deuses falsos! Esses deuses nem são mais adorados, ninguém se lembra deles! Vamos deixar de ser paranoicos! De acordo com a lei judaica, inclusive, se um gentio não trata mais uma coisa idolátrica como seu deus, a idolatria está anulada e a coisa pode ser usada por judeus  (Rambam, hilkhot ‘abodá zará 8,8) !!!

Ou você aceita que Deus respeita e às vezes usa, em sua comunicação com o ser humano, a linguagem humana, e não uma coisa nova, celestial, inventada, ou vira ateu de vez e economize sua cabeça.

Hanucá Samêah!

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¹ “O Natal é uma festa cristã ou pagã?” disponível em: http://www.ofielcatolico.com.br/2004/12/o-natal-e-uma-festa-crista-ou-paga.html

² Esse método de aliança é chamado em hebraico “berit ben habetarim” (aliança entre as metades). Veja Jeremias 34, 18 e https://en.wikipedia.org/wiki/Covenant_(biblical)


4 Veja o comentário na “Torá, a lei de Moisés”, da editora sêfer, sobre esse versículo.

5 Você vai gostar muito de ler, a esse respeito, o seguinte artigo, da autoria de Sha’ul Bension: http://qol-hatora.org/misterios-do-tanakh/segredos-do-eden-o-misterio-da-serpente/

6 A tradução foi copiada do material de acompanhamento da seguinte palestra, por Sha’ul Bension, que é brilhante e discute á exaustão a questão dos sacrifícios: você tem que ouvir e ler! http://qol-hatora.org/audio/por-que-o-eterno-ordenou-sacrificios-palestra-em-audio/

8 A referência é a Sha’ul Bension, “Hanuká: O Segredo do Milagre do Óleo”, disponível em http://qol-hatora.org/moadim/hanuka-o-segredo-do-milagre-do-oleo/


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