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Guia para Shavuôt ("Pentecostes")






a)     O que comemora:

A Torá não menciona especificamente um motivo para a celebração da festa de Shavuôt. O nome significa “semanas” (Dt 16, 10). O motivo do nome é que a festa sempre acontece sete semanas (ou seja, no quinquagésimo dia) após Pêssah. Em português, é comum que essa festa receba o nome de “pentecostes”, palavra de origem grega que faz referência ao número cinquenta. A data da festa de Shavuôt é calculada através da contagem desses cinquenta dias, em cumprimento de Levítico 23, 16. A contagem chama-se sefirat haômer (contagem do ômer). Ômer (literalmente: feixe) é o nome de uma medida, e a referência é a uma quantidade de cevada que deveria ser ofertada após Pêssah (Lv 23, 10-11). Em Nm 28, 26, Shavuôt é chamado “iom habicurim” (dia dos primeiros frutos). Outro nome desta festa é “atzêret”, que significa “interrupção” ou “conclusão”. Na tradição judaica, a festa recebe motivos e nomes como “Festa da Safra” e “Tempo da entrega da Torá (Lei)”. Portanto, tradicionalmente, Shavuôt comemora o aniversário da entrega da Torá.

b)     Datas (em 2017):

30 de maio de 2017 (terça-feira) – Véspera de Shavuôt
31 de maio (quarta) - Iom tov (dia santo) de Shavuôt
1 de junho (quinta)- Dia santo adicional na diáspora  

c)     Mitzvôt (preceitos): Excluíndo-se a “sefirat haômer”, por ser feita antes de Shavuôt, temos na festa nove mitzvôt da Torá Escrita, das quais são sempre praticáveis dois, marcados com asterisco (*), e obviamente a proibição 325.

M. 45 – Trazer um sacrifício adicional (mussaf) em Shavuôt (Nm 28, 27);
M. 46 – Trazer dois pães com os sacrifícios em Shavuôt (Lv 23, 17);
M. 52 – Festejar nas três peregrinações anuais; (Ex 23, 14);
M. 53 – Comparecer diante de Deus durante as festas. (Dt 16, 16);
M. 54* – Alegrar-se nas festas (Dt 16, 14);
M. 162* – Descansar em Shavuôt (Lv 23, 21);
P. 156 – Não comparecer ao santuário numa festa sem sacrifício. (Ex 23, 15);
P. 229 – Não abandonar os levitas durante as festas. (Dt 12, 19);
P. 325 – Não trabalhar em Shavuôt (Lv 23, 21);

d)     Outras práticas:

·        A oração é diferente da que se faz usualmente. A bircat hamazon (bênção após refeição com pão) ganha um pequeno acréscimo.
·        Recita-se em Shavuôt o Halel (louvor- salmos 113 - 118). A leitura é feita após a Amidá da manhã, e pode ser encontrada no sidur ou hagadá de Pêssah. Antes da leitura, recita-se a bênção:
Baruch Atá Ado-nai Elo-hênu, Mêlekh haolam, asher kideshânu bemitzvotáv, vetzivânu ligmor et hahalel.
Bendito sejas, Senhor, nosso Deus, rei do universo, que nos santificaste com Teus mandamentos e nos ordenaste a concluir o Halel.

e)     Costumes folclóricos (não obrigatórios):

É muito popularizado na véspera da festa o chamado ticun lêl Shavuôt (retificação da noite de Shavuôt), que consiste em passar a noite inteira em claro, lendo textos bíblicos e cabalistas.  Alguns enfeitam a sinagoga com flores e ramos verdes, comem neste dia muitos alimentos derivados de leite e doces e leem o livro de Rute após o Shaharit (oração da manhã). Alguns poemas são inseridos na liturgia, dependendo das comunidades.

f)      Saudação:
חג שבועות שמח! (Hag shavuôt samêah) – Feliz festa de Shavuôt!

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